quinta-feira, 20 de janeiro de 2005

Casa Civil faz consulta pública sobre lei de libras


A Casa Civil da Presidência da República está realizando consulta pública para receber contribuições ao projeto de decreto que regulamenta a lei da Língua Brasileira de Sinais (Libras) - Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002. O projeto foi enviado à Casa Civil pelo ministro da Educação, Tarso Genro. Até o dia 3 de abril, qualquer cidadão pode apresentar sugestões antes que o decreto entre em vigor. As contribuições ao texto deveriam ter sido entregues até 3 de janeiro, mas para dar chance, principalmente às universidades, o prazo foi prorrogado por 90 dias.
No Brasil, há 5.750.809 pessoas com problemas relacionados à surdez. São 519.460 até 17 anos de idade e 276.884 entre 18 e 24 anos, segundo o Censo Demográfico de 2000 do IBGE. No Brasil havia 56.024 surdos matriculados na educação básica, dos quais 2.041 (3,6%) no ensino médio, segundo o último Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC) de 2003. "No ensino superior, são 300 estudantes surdos", diz Marlene Gotti, assessora da Secretaria de Educação Especial (Seesp/MEC).
Marlene salienta que há afunilamento da população estudantil à medida que o grau de estudo aumenta e que esse afunilamento é mais acentuado no caso dos surdos. Segundo ela, a Libras é a língua natural dos surdos. O decreto que regulamentará a Lei nº 10.436/2002 viabilizará, para eles, a compreensão dos componentes curriculares. "Uma aula de matemática, por exemplo, dada em Libras muda tudo", afirmou. "Os surdos são inteligentes, mas enfrentam um problema quando se coloca a língua portuguesa oral como única forma de explicação das matérias nas escolas."
Com a promulgação do decreto, espera-se a ampliação do número de intérpretes de Libras. As aulas podem ser dadas em português, com a participação do intérprete.
Cursos - Com base na lei, o governo reconhece a Libras como meio legal de comunicação e expressão. "Os alunos surdos podem ter explicações das matérias por meio dessa língua. A lei manda que esse componente curricular seja incluído nos cursos de formação de professores e de fonoaudiologia. O decreto indicará como tudo isso deve funcionar", observou Marlene.
O programa Interiorizando Libras, da Seesp, oferece cursos para capacitação de instrutores surdos e de professores com audição normal para o uso da Libras; cursos de ensino de língua portuguesa para surdos e professores e cursos de tradução e interpretação de Libras e língua portuguesa para professores.
O programa é desenvolvido com a Universidade de Brasília, Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Deficiência Auditiva (Apada) e Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos (Feneis). Este ano, serão ministrados cursos de Libras no Amazonas, Maranhão, Ceará, Rondônia, Bahia e Santa Catarina para 720 professores. O Interiorizando Libras, que forma servidores do MEC e outros interessados, será oferecido novamente este ano pelo Ministério da Educação.
Além de oferecer os cursos, o MEC enviou equipamentos a Roraima, Amapá, Tocantins, Acre, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Espírito Santo, Mato Grosso e Goiás. Nesse estados devem ser implantados, este ano, os centros de capacitação de profissionais da educação e de apoio às pessoas com surdez, destinados à efetivação dos cursos para professores (surdos e ouvintes).
Os interessados em apresentar sugestões à regulamentação da Lei de Libras devem enviá-las à Casa Civil da Presidência da República, no Palácio do Planalto, Anexo III, Sala 212, CEP 70150-900, com a indicação Sugestões ao Decreto de Regulamentação da Lei no 10.436/02 - Libras. Podem, também, mandá-las para o endereço eletrônico libras@planalto.gov.br.
O texto do projeto pode ser consultado na internet e na edição de 3 de dezembro de 2004 do Diário Oficial da União.
Mais informações pelos telefones (61) 2104-8188 e na página da Casa Civil na internet.
Repórter: Susan Faria

Projeto da UnB ensina informática aos jovens

A primeira turma do curso de extensão em informática, do projeto De Olho no Futuro, desenvolvido pela Universidade de Brasília (UnB), forma-se, agora, no final de janeiro. Segundo Luiz Carlos Coelho de Medeiros, diretor presidente do projeto, são cerca de cem alunos, que aprenderam desde o módulo básico - na área de informática - à infra-estrutura do cabeamento de redes e à manutenção e operação do software livre (Linux).
"Cerca de 80 desses cem jovens já estão empregados como estagiários, em meio período, com um salário médio garantido de R$ 368. Todos foram encaminhados ao mercado de trabalho pelo projeto", explicou Luiz Carlos. Segundo ele, o intento já beneficiou mais de 20 mil jovens no Distrito Federal e encontra-se em expansão no território nacional, com parceiros em universidades públicas e estaduais.
O projeto da UnB propõe a criação de núcleos de extensão em informática, telemarketing e línguas (português, inglês, francês e espanhol), para jovens carentes. Os cursos se dividem em módulos com duração semestral e um custo de R$ 120 por semestre. O mínimo de escolaridade exigida para a inscrição é a 5ª série do ensino fundamental. O candidato precisa, também, ter mais de 12 anos de idade. Pessoas interessadas podem fazer a pré-matrícula pelo telefone 328-3893.
Neste ano, o projeto De Olho no Futuro está desenvolvendo módulos de DOS VOX para deficientes visuais. Outra novidade oferecida é que foram abertas turmas para a terceira idade. No final do curso, que tem duração máxima de dois anos, o aluno recebe um certificado da UnB.
Núcleos - Segundo Luiz Carlos Medeiros, para 2005 foram criados vários núcleos do projeto De Olho no Futuro, no Distrito Federal. "Teremos núcleos de línguas e informática no Plano Piloto, Taguatinga, Gama, Planaltina e Sobradinho. E, pela proximidade geográfica, atenderemos jovens do Riacho Fundo, Ceilândia, Santa Maria e também de algumas cidades da região do entorno".
O projeto da UnB é desenvolvido também nas universidades federais do Maranhão, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Roraima. Há parcerias com as universidades estaduais de Goiás, Santa Catarina, Ponta Grossa e Londrina (PR) e está sendo implantado na universidade estadual de Maringá (PR).
Repórter: Sonia Jacinto